
Mini ficha técnica:
Pete Docter – diretor e screenwriter
Produção – Disney/Pixar
Desenho animado em 3-D
Filme de abertura no Festival de Cannes 2009
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Este texto é sobre o filme “Up” que me despertou diversas …e por que não dizer, emoções.
Mas faço questão de não descrever o que ocorre no filme para não tirar o elemento surpresa de quem ainda não o viu.
“Criticar” não é a minha intenção.
Só quero expor o que sentí durante o filme.
Portanto quem ainda não assistiu pode ler `a vontade.
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Nunca deixei de ser criança fato que, minha mãezinha detesta.
Pasmem que, em 36 anos de vida, nunca houve aquele momento em que me olhei no espelho e enxerguei um adulto.
Retardada sei bem que não sou, porém internamente ainda passeio naquele limbo menina/mulherrr.
Amava ser criança com todas as minhas forças e me recusava conscientemente a mudar minhas brincadeiras infantis, para atividades mais adolecentes.
Aos 13 anos meu primeiro beijo foi um grande acontecimento pois era perdidamente, enlouquecidamente apaixonada pelo menino e ainda assim, continuei brincando de boneca até uns 14, 15.
Por ter sido criada pela minha avó e ter tido uma mãe “cabeça aberta”, tive liberdade pra sair `a noite bem cedo.
Já era figurinha da noite aos 14, mas durante o dia escapava dos livros de colégio pra brincar com as minhas tão amadas bonequinhas.
Sobretudo, sonhava.
Sonhava grande, sonhava alto, o mundo era meu e me aguardava.
Infinita era a minha sede de vida e fome por aventuras.
Na inocência daquela época tinha certeza total de que conseguiria atingir meus mais ambiciosos sonhos com facilidade.
Hã-ham…rs.
A vida é dura e tentando resolver os problemas do dia-a-dia fui me esquecendo de quem eu era e o que realmente eu queria na minha essência.
Pagar as contas em dia, poder me dar um certo luxo de vez em quando, se tornou um código de honra e sinônimo de auto-respeito, de dignidade, mas a vida não pode ser só isso.
As contas, os impostos e os demais deveres nos seguem até a morte.
Mas o prazer de viver e manter o sonho vivo é finito.
O desenho animado Up é entre outros aspectos, sobre isso, na minha opinião.
A pior dívida de todas é aquela que temos com nós mesmos.
Conforme o tempo passa, e se não conseguimos alcançar nossas sagradas metas, esta dívida tem juros tão altos quanto as do banco combinado com imposto de renda.
Entregamos a nossa alma ao esquecimento e ainda em VIDA!
O fardo é pesado e carregamos a culpa de não ter conseguido, como faz o senhor ranzinza no filme enquanto carrega a casinha cheia de balões nas costas.
Precisamos recuperar a fantasia de viver e aprontar “loucuras” enquanto ainda há tempo.
Antes de ficarmos doentes, como tantas vezes já fiquei e não por falta de saúde, mas por estar insatisfeita com o que havia feito da minha vida.
Lutar pelo que viemos a esse mundo deve ser uma atitude diária.
Não é suficiente ficarmos quietinhos “na nossa”, sem perturbar ninguém , fazendo aquilo que outros querem que façamos.
Por que quando menos estamos esperando, vem a morte e te tira a pessoa mais amada, o seu chefe pode te mandar embora e tirar o emprego dos sonhos, o seu próprio vizinho quer que você perca a casinha onde vive ou vem o governo e desapropria o trabalho de uma vida e por aí vai…
Por isso eu escolho lutar e brigar até o fim por quem eu sou e aquilo que me faz feliz.
Custe o que custar.
É só o que eu tenho.












Mas coruja zoiúda
Com a ira dos ventos





